Na Lona - release
“O mundo, não só minha cidade, está povoado de clowns.” Fellini
Na Lona é um espetáculo inédito inspirado no universo do circo-teatro e nas relações de poder entre palhaços e também àquelas que existem entre membros da sociedade com preconceitos raciais, desigualdade social, consumismo desenfreado, as perversões com a educação, o patrão, a brutalidade midiática...
Recriando a natureza da criança onde tudo é possível a partir da brincadeira e imaginação, o espetáculo acontece através do jogo entre as cômicas Carmem Lúcia, Conceição, Gracy Kelly e o dono do circo (gromelo em off ) com a platéia e objetos de cena.
O trio vive em um circo decadente, sem muitos recursos onde a atração principal é Carmem Lúcia – uma atriz que já teve seus dias áureos de teatro-circo, mas hoje convive com as dificuldades inerentes da profissão (concorrência com os entretenimentos de massa, a desvalorização de quem está fora da mídia, falta de patrocínio...). Carmem está no topo da pirâmide da relação de poder desse trio, mas é subjugada pelo dono do circo. Ela está associada ao clown Branco – um tipo dominante, da dupla Augusto e Clown Branco, veio solidificar a máscara cômica da sociedade de classes. O Branco seria a voz da ordem, aquele que tenta se encaixar na máquina do progresso; tem como características a boa educação, refletida na fineza de gestos e a elegância da tradição aristocrática nos trajes e nos movimentos.
Gracy Kelly é um tipo dominado contemporâneo de “Augusto” – ela é representante de uma classe muito popular, menos favorecida, sempre alegre, cheia de vida, arruma um jeitinho pra tudo, é a típica mulher brasileira – como o “Augusto” sua característica básica é a estupidez e se apresenta freqüentemente de modo desajeitado, rude e indelicado. Conceição também é um tipo de Augusto, dominada pelas outras duas.
(...um tipo justamente marginal, não somente pelo seu aspecto exterior, mas sobretudo pela inaptidão generalizada em não acompanhar as coisas mais simples – fracasso simbolizado pelo tropeço de sua entrada na pista. Prodígio de ineficácia que naturalmente suscita o riso em um universo ultra-racional voltado à eficácia. Auguet, 1982,p.154-5)
Gracy acompanha Carmem Lúcia há anos e é sua fã número 1 (e única), por outro lado, tornou-se uma espécie de faz tudo dentro do circo. Conceição fugiu com o circo; não se encaixando bem na vida que levava, se encantou com o espetáculo decadente de Carmen Lúcia e se submete a tudo para ser aceita entre elas. Na linguagem circense Gracy, junto com Conceição formam as palhaças “secundárias”, o “escada” para a palhaça principal. Mas essa relação não se mantém durante todo o espetáculo, o trio inverte os papéis de dominador e dominado ao decorrer da apresentação, mostrando que quando há inversão nas relações de poder, o outrora dominado pode se tornar tão cruel quanto aquele que o dominava antes.
O espetáculo “Na Lona” contará, como é mencionado acima, com as personagens já criadas dentro do grupo: a famosa dupla Carmen Lúcia e Graice Kelly e a nova integrante do agora trio, Conceição. É um espetáculo que praticamente não terá falas, porque queremos investigar mais a fundo a comicidade física, a comicidade do corpo, dos detalhes, da manipulação dos objetos, do olhar, dos sons, da precisão, do rigor e do vigor do ator.
O estudo do cômico é também um estudo do jogo e As Comediantes sempre jogam com o público, que também brinca com as atrizes e é sempre ativo em suas apresentações. Esse espetáculo pretende ser um metateatro, desnudando aos olhos do público o processo de preparação do artista e dos técnicos, a relação com o diretor-patrão, os desdobramentos de função para sobreviver(a artista que também é a bilheteira, por exemplo), mostrando o processo coletivo e cooperativo do teatro/circo e dos espetáculos em geral. E, ao final, o público se torna o jogador principal desse palco-picadeiro.
Na Lona – Currículos
Sociedade de Arte Dramática / As Comediantes
2003: idealizou e produziu o projeto “Ciranda de Solos” em parceria com o projeto Cultura se faz na rua da prefeitura do Rio
2004: produziu o 2° CIRCUITO CARIOCA DE TEATRO DE RUA E CIRCO junto a Coordenadoria de Teatro de Rua e Circo do Rio e produziu junto com o Teatro de Anônimo o ANJOS DO PICADEIRO 4 – ENCONTRO INTERNACIONAL DE PALHAÇOS.
2005: idealizou e produziu as temporadas dos espetáculos Os Cenouras e La Diva do grupo Valdevinos de Oliveira. Produziu o espetáculo e a palestra da palhaça suíça Gardi Hutter em sua única apresentação no Rio.
2006: As Comediantes atuaram pela terceira vez consecutiva no projeto itinerante de educação e teatro do SESC Saúde e Prevenção com o espetáculo H2O, em parceria com o jornalista ambiental André Trigueiro da Globonews. Em 2009 foi selecionado pela quarta vez para participar do Projeto Sesc Saúde.
2007:ganhou o prêmio de Teatro Myrian Muniz, com o projeto Boa Praça, no qual realizou a apresentação de espetáculos de rua em diversas praças do Rio. Ministraram oficinas de humor em diversas instituições e projetos como: Cinema Nosso, projeto Rumos e projeto Geringonça(SESC), Integrando Ações da SEE-RJ e Portal do Futuro do Senac/ Banco do Brasil.
2008: atuou junto a Petrobrás/COMPERJ com projetos de criação e apresentação de espetáculos para escolas na região de Itaboraí e no final do ano foi um dos contemplados pelo edital de cultura da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro; o grupo As Comediantes se apresentou na 7ª edição do festival internacional de palhaços Anjos do Picadeiro.
2009: continua a parceria com a Petrobrás/Comperj. Realiza Giro H20, primeira etapa de circulação do espetáculo do repertório “H2O” com apresentações no Rio, Angra dos Reis e Cabo Frio. Inicia pesquisa para seu novo espetáculo “Na Lona”
As Comediantes:
Cris Muñoz
Atriz, Palhaça, mestra em teatro pela UNI-RIO - Pesquisa o conceito de gênero e as linguagens teatrais ligadas à raiz da máscara teatral e do palhaço desde 1998.
Fundadora e Integrante do grupo As Comediantes, onde participa como atriz/palhaça e dramaturga de todos os espetáculos e projetos do grupo. Sendo contemplada como dramaturga e atrizno espetáculo "H20" em 2009 pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. Integrou por dois anos o grupo As Marias da Graça, quando participou dos espetáculos: Tem Areia no Maiô - direção Beto Brown, Mandando Bala - direção Claudia Câmara e Onde botei meu nariz. Como atriz em La Ronde, de Arthur Shinitzler - direção de Marcus Alvisi. Foi nomeada Atriz Revelação de 1998 e Natureza Morta - direção Roberta Oliveira - nomeada como atriz no Melhores do FRINGE -2005
Fabiana Poppius
Atriz, produtora e palhaça. Fez parte do grupo Valdevinos de Oliveira de 2002 a 2007, onde além de atuar (em Corrupio e La Divaque também escreveu) participou das equipes de produção e técnica. Entra para As Comediantes em 2008, onde atua em Essa é a sua vida e em esquetes cômicas. No grupo faz parte da produção e coordenou o projeto Giro H2O - de circulação do espetáculo de repertório H2O, patrocinado pela Secretaria de Estado do Rio de Janeiro. Formou-se em Licenciatura em Artes Cênicas pela Unirio e fez cursos com mestres como LUME, Márcio Libar, Julie Goel, Hillary Chaplain. Participou de diversos festivais, dentre eles Anjos do Picadeiro, Festival Internacional de Palhaças de Andorra, Esse monte de mulher palhaça e Mostra Sesc Cariri de Artes. Participou da produção de eventos como Pastoril da Matriz; Circuito Cultural Mercado do Peixe; Anjos do Picadeiro; 2º Circuito Carioca de Teatro de Rua e Circo; Ciranda de Solos; evento Mercado do Riso; espetáculo Amantes do Sereno.
Flávia Lopes
Bacharel em Artes Cênicas Interpretação e Teatro Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UNI-RIO.
N'As Comediantes atua como atriz/palhaça, dramaturga, educadora e produtora, está presente em todos os espetáculos, oficinas e projetos do grupo. Em 2009 produziu e atua no projeto GIRO H2O - Contemplado pela secretária de Cultura do estado.
Fora da grupo produziu e atuou no espetáculo Explícito – direção: Marília Martins, no Anjos do Picadeiro 5 – encontro Internacional de Palhaços, atuou no espetáculo Meu Filho é um doce – direção e texto: Cláudia Valli, fez direção de atores do espetáculo Natureza Morta - direção Roberta Oliveira, entre outros...
Há três anos desenvolve uma pesquisa de dramaturgia com Máscaras Balinesas com a atriz e diretora Fabianna de Mello e Souza para o espetáculo Instantâneos - com estréia e circulação nos SESCS GRANDE RIO 2010 - Contemplado com o Prêmio Funarte Myriam Muniz.
Como educadora: Ministrou projetos teatrais com Mães Vítimas de Chacina, Jovens Psicóticos - Centro Psiquiátrico PEDRO II, NAVE - OI FUTURO (NAVE), Cinema Nosso...
Direção:
Fabianna de Mello e Souza
Formou-se em 1984 na CAL, trabalhou no Grupo TAPA. Em 1997 foi convidada por Ariane Mnouchkine a integrar a Trupe do Théâtre du Soleil, lá permanecendo até 2006, onde participou das montagens: Et soudain, des nuits d'eveil, Tambours sur la digue (2 prêmios Moliére) e Le Derniér Caravaneserail,(4 prêmios Moliére). Foi a Bali onde estudou Topeng com Mestre Dmat e depois ao Sri Lanka onde praticou dança com a mestra Khema.
No Rio desde 2006, organiza workshops de treinamento do ator onde desenvolve sua pesquisa sobre o jogo do ator através do uso de máscaras balinesas e há dois anos participa do encontro internacional de teatro ECUM.
Em 2007, estréia como diretora do espetáculo Mangiare , muito bem acolhido pela crítica e pelo público. Em 2008, Mangiare participou do festival Premier Pas em Paris e em 2009 participa do projeto Palco giratório.
Em 2008 estreou O dragão com o Grupo Amok teatro, peça considerada entre as 8 melhores do ano e Fabiana nomeada a premio por Barbara Heliodora.
Iluminação:
Aurélio de Simoni
Assina seu primeiro trabalho em 1979, em Ponto de Partida, de Gianfrancesco Guarnieri e, em seguida, As Preciosas Ridículas, de Molière. A partir de 1980, estabelece uma parceria com Luiz Paulo Nenen, com quem cria e realiza a iluminação de uma média de oito espetáculos por ano até 1984. A partir de 1984, passa a trabalhar sozinho, realizando a iluminação para diversos diretores nos espetáculos: Emily, de William Luce, direção de Miguel Falabella, 1984; Galileu Galilei, de Bertolt Brecht, direção de Celso Nunes, 1987; A Caravana da Ilusão, direção de Luiz Arthur Nunes, 1993; Sermão da Quarta-Feira de Cinzas, de Padre Antônio Vieira, direção de Moacir Chaves, 1994; Lima Barreto ao Terceiro Dia, de Luís Alberto de Abreu, direção de Aderbal Freire Filho, 1995; Noite de Reis, de William Shakespeare, direção de Amir Haddad, 1997; A Capital Federal, de Artur Azevedo, direção de André Paes Leme, 1997; Bugiaria - O Processo de João Cointa, novamente Moacir Chaves, 1999. Em 2001, retoma a parceria com Luiz Paulo Nenen em Cócegas, de Ingrid Guimarães e Heloisa Périssé, 2001.
Entre 1989 e 1999, recebe 6 prêmios em teatro infantil. Nos anos de 1992, 1995, 1996 e 1997, recebe o Prêmio Shell por espetáculos adultos, entre eles Don Juan, de Molière, com direção de Moacir Chaves. Em 2003, faz a luz para o grupo Intrépida Trupe, em Sonhos de Einstein.
Cenário e adereços:
Márcia Marques
Formou-se em Bacharelado em Artes Cênicas (UNI-RIO) e Licenciatura em Artes Cênicas (UCAM)Atualmente trabalha como cenógrafa assistente no Atelier Clívia Cohen onde realiza a confecção de adereços e cenografia para comerciais, teatro, eventos, novelas e programas da TV GLOBO como A Turma do Didi, A Diarista, Criança Esperança, Caldeirão do Huck e Casseta e Planeta.
Fez cenografia e adereços de peças como Patativa do Assaré (direção Alan Castelo), Roleta(Direção: Gaspar Filho), O Mistério da Rua das Andorinha (Direção : Mauro Marques), ORIXÁS (direção: Aduni Benton), Os Libertinos / Tímon de Atenas, Tudo no Timing, O Carioca, O Casamento do Pequeno Burguês (todos com direção de João Fonseca), Momentos, Beijos de Nelson Rodrigues,com adaptação e direção de Nelson Rodrigues Filho, A Resistível Ascensão de Arturo Ui, As Bruxas de Salém (Direção: Antônio Abujamra), Peter Pan(texto e direção: Sura Berditchevsky). |