São duas semanas de evento, com artistas do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Rio Grande do Sul e até da Alemanha. Na foto, Cláudia Horta em Esboços para Schiele. Crédito da foto: Caroline Beiriz/Divulgação.
O evento Solos de Dança no SESC, um dos mais importantes do calendário de dança carioca, reúne, em sua 11ª edição, artistas do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Rio Grande do Sul e até da Alemanha. De 4 a 14 de março, o público poderá conferir oito coreografias de profissionais que nunca participaram do evento, inéditas na cidade do Rio. O evento terá duas semanas de duração. A cada semana quatro coreografias serão apresentadas diariamente, de 5ª a domingo, no Teatro de Arena, do Espaço SESC (Copacabana).
Para essa edição, as curadoras Beatriz Radunsky e Marcia Rubin convidaram quatro artistas consagrados e quatro jovens, esses últimos selecionados em companhias, universidades e cursos de dança.
Segundo Marcia Rubin, a ideia é abrir espaço para a nova geração e apresentar artistas que, hoje, fazem parte da história da dança, como o Fernando Lee, de São Paulo, um dos integrantes do Marzipan, grupo paulista emblemático nos anos 80, hoje à frente do Núcleo OMSTRAB de Dança; e Mariusa Bregoli e Fernando Nunes, bailarina e coreógrafo da Verve Cia de Dança, do Rio Grande do Sul, que voltam a se apresentar no Rio depois de um longo tempo.
Da nova geração da dança carioca a organização do evento convidou três intérpretes/criadores: Clébio Oliveira, que hoje dança e coreografa na Alemanha, e Karina Mendes, coreografada por Daniel Calvet, que retorna ao Rio depois de uma longa temporada na companhia Quasar, em Goiânia. E ainda os novos coreógrafos/parceiros, Héder Magalhães, Alexandre Bado, Lucas Rodrigues e Francini Barros, que certamente seguirão suas pesquisas dando continuidade à história da dança do Rio de Janeiro.
“Este ano vamos comemorar a 11ª edição apostando em uma programação que mistura novos criadores e artistas já consagrados e conhecidos”, explica a curadora.
Ao longo de suas dez edições, quase cem artistas, dos mais diversos estilos e gerações, se encontraram em parcerias inéditas e inusitadas. O Solos de Dança no SESC dá continuidade em sua proposta inicial de instigar novos olhares a partir de novas misturas.
PROGRAMAÇÃO
1ª semana (04 a 07 de março) – Classificação: Livre
· Héder Magalhães (intérprete criador) em Nesse Time eu Vou jogar
· Mariusa Bregoli (intérprete) e Fernando Nunes (coreógrafo) em Na Lata
· Lucas Rodrigues (coreógrafo) e Claudia Horta (intérprete e coreógrafa) em Esboços para Schiele
· Clébio Oliveira (intérprete criador) em Zona Abissal
2ª. Semana (11 a 14 de março) – Classificação: Livre
· Fernando Lee (intérprete criador) em Diário
· Francini Barros (intérprete criador) em Fabulações
· Karina Mendes (intérprete) e Daniel Calvet (coreógrafo) em Corpo Revelado
· Alexandre Bado (intérprete criador) em Um Pouco de Possível, senão eu sufoco
AGENDE-SE:
Solos de Dança no SESC
Estreia dia 04 de março (quinta-feira) às 21h
Local: Espaço SESC (Rua Domingo Ferreira, 160 - Copacabana. Tel.: 2547-0156)
Horários: quinta a sábado às 21h e domingo às 19h30
Ingressos: R$16,00, R$8,00 (estudantes e acima de 60 anos) e R$4,00 (comerciários)
Bilheteria: de terça a domingo a partir das 15h e vendas antecipadas até 19h
Capacidade: 242 lugares
Classificação: Livre
Duração: 65 minutos
Temporada: de 04 a 07 e de 11 a 14 de março
espacosesc@sescrio.org.br
www.sescrio.org.br
Sobre os trabalhos:
Primeira Semana – de 04 a 07 de março
Héder Magalhães (intérprete criador) em Nesse Time eu Vou jogar
Em forma de brincadeira, "Nesse time eu vou jogar" mistura elementos da cultura popular à dança contemporânea, passando pelo universo do futebol, tão presente na vida dos brasileiros. Através da identificação do público, esse trabalho se propõe a mostrar uma dança que usa referências como literatura de cordel e repentes nordestinos para um caminho contemporâneo de construção artística, além de transportar o espectador para um universo de diversão, repleto de surpresas e recordações. Coreografia e interpretação: Heder Magalhães / Supervisão coreográfica: Frederico Paredes/ Desenho de luz: José Geraldo Furtado/ Trilha Sonora e Videografismo: Heder Magalhães.
Mariusa Bregoli (intérprete e coreógrafa) e Fernando Nunes (coreógrafo) em Na Lata
As memórias que estocamos ao longo da vida, responsáveis por nossa permanência ou sobrevivência, podem ser expelidas de nós e armazenadas numa lata? É possível pegá-las de volta? Este conflito é a base da dramaturgia de “Na Lata”, obra que se constrói no ato de uma mulher apropriar-se de uma lata vazia. Esta ligação física e psicológica cria um duelo entre mulher e suas memórias ou corpo e lata. A Ideia do corpo negando, porém retornando as partes de sua história. A lata fazendo o papel insano de armazenamento de lembranças. A Lata “Na lata” é um elemento que questiona a própria condição humana. Intérprete: Mariusa Bregoli/ Criação Conjunta: Mariusa Bregoli e Fernando Nunes/ Direção: Fernando Nunes/ Criação de Luz: Silvio Vilczak/ Fotografia: Fernando Nunes.
Lucas Rodrigues (coreógrafo) e Claudia Horta (intérprete e coreógrafa) em Esboços para Schiele
Esboços para Schiele é um solo de dança que não se contenta em apresentar passos e formas corporais exclusivamente para o deleite do espectador. Ao falar sobre camadas internas do corpo humano o solo tem intuito de trazer percepções mais abrangentes e, para isso, conta com uma elaboração dos elementos cênicos tais como sonoridades, imagens, figurino, iluminação, que sejam de mesma forma independentes e relacionados a questão que é abordada. Esboços para Schiele nasce do desejo de estabelecer essas relações de elementos cênicos ao encontro com a obra do pintor austríaco Egon Schiele (1890-1918). Percebe-se em sua obra imagens corporais fortes que sugerem movimentos arrebatados de expressões diversas indicando um mesmo universo. É possível perceber nossas camadas internas por variados pontos de vista, e certamente muito mais dos que são expressos em Esboços para Schiele. O que o solo aponta é uma imagem de ruptura com a fronteira mais superficial do corpo: a pele. E a partir desse rasgo, da quebra dessa superfície, trazer uma expressão subjetiva do ser humano. Concepção, Direção e Vídeo: Lucas Rodrigues/ Colaboração de concepção: Claudia Horta e Murilo O'Reilly/ Interpretação: Claudia Horta/ Coreografia: Claudia Horta e Lucas Rodrigues/ Colaborador: Paulo Marques/ Direção Musical: Silêncio manipulado - Murilo O'Reilly/ Seleção e Organização de eventos sonoros: Joana Bergman e Murilo O'Reilly/ Iluminação: Paulo Denizot/ Figurino: Mimi Marques/ Cenografia: Leila Scaf Rodrigues/ Foto: Carol Beiriz. Parcerias: Faculdade Angel Vianna; OEstudio; Rampa-lugar de criação; Studio Valorarte; Hush Hush.
Clébio Oliveira (intérprete criador) em Zona Abissal
“Segundo a teoria estóica dos incorporais, o vazio só passa a ser um lugar quando um corpo entra nele." Anne Cauquelin. Fria, escura e silenciosa é a zona abissal oceânica. E abissal é a região obscura onde desejos, angústias, ressentimentos e medos inomináveis tecem prazer e dor em estado bruto. Estados imateriais a procura de suporte para existir plenamente. Na região onde o imaginário e o real se tocam, imagens, objetos e palavras buscam um sentido e o sentido busca nome e corpo. A dor da perda e da ausência não se origina no corpo, mas se instala nele. É uma dor que pressupõe um encontro ou sua falta - preenchimento ou vazio. Vagamos como cegos sedentos de compreensão, mas incapazes
de compreender. Diante da impossibilidade de dar ou encontrar um sentido, vislumbramos a fragmentação, o medo de deixar de existir, como possibilidade real. Caos, desarticulação, invisibilidade. Não se ver inteiro, não se ver, não existir. É a concretude do corpo que nos resgata e reconduz à realidade impermanente do momento - ser e deixar de ser é uma condição da existência. Na zona abissal tememos aquilo que o corpo simplesmente sabe. Criação e interpretação: Clebio Oliveira/ Pesquisa: Daniela Fusaro/ Luz: Bruno Barreto/ Figurino: Cássio Brasil/ Gravação da trilha sonora: Jamil Chevitarese/ Produção: Sonja Gradel.
Segunda Semana – de 11 a 14 de março
Fernando Lee (intérprete criador) em Diário
Solo de Dança Contemporânea com música especialmente composta e executada ao vivo. O corpo visto como um diário, um espaço de pesquisas e descobertas no dia a dia. Um exercício sobre a relação de ritmos corporais com a música. Este solo também é parte da pesquisa do espetáculo ‘Diários de Viagem' (ainda inédito) do grupo OMSTRAB, inspirado em depoimentos sobre Percepção Espacial do Tempo traduzida em Movimento. Bailarino: Fernando Lee/ Músicos do OMSTRAB Trio: Pedro Peu (percussão), Rogê (baixo e guitarra), Fernando Bastos (artista convidado – sax e flauta) / Coreografia e músicas originais: Fernando Lee/ Design de luz: Thais Conti.
Francini Barros (intérprete criador) em Fabulações
Fazer a palavra valer a imagem. Algumas partes voltam, mas não exatamente como era antes, eu acho. O tempo passa através das imagens, sempre. Imagens que pedem pelo olhar. Estou caminhando? Estou sentada aqui? Será que eu não poderia ser todas essas coisas, qualquer uma delas ou todas ao mesmo tempo? Agora eu vou. Eu vou saber quando vai chegar? Eu vou me reconhecer?Já não percebo mais os limites dos meus contornos quando você me toca. Esse tecido imaginário que nos reveste aqui nesse lugar. Contágios. O que resta são histórias por contar. Concepção e direção: Francini Barros/ Interpretação: Francini Barros/ Criação: Cecília Ripoll, Francini Barros, Jamil Cardoso/ Assistência de direção: Jamil Cardoso/ Colaboração artística: Carolina Figner/ Iluminação: José Geraldo Furtado/ Fotos: Ignácio Aldunate.
Karina Mendes (intérprete) e Daniel Calvet (coreógrafo) em Corpo Revelado
Partindo do princípio básico da técnica fotográfica, utilizamos elementos dos quais se destacam a abertura do diafragma, que será representada pela luz, e a velocidade do obturador, que se apresentará através da dinâmica do movimento. Estes elementos estão também combinados na intenção de revelar diferentes possibilidades de imagens, pois assim como a fotografia, a dança possui um enorme potencial de comunicação e expressão de momentos, sejam eles pequenos, inteiros, fracionados, congelados ou borrados. Intérprete: Karina Mendes/ Concepção: Karina Mendes/ Coreografia: Daniel Calvet/ Assistente de coreografia e ensaiadora: Danielle Rodrigues/ Iluminação: Eduardo Rangel/ Figurino: View Point/ Fotos: Felipe Hidvegi.
Alexandre Bado (intérprete criador) em Um Pouco de Possível, senão eu sufoco
Todo o processo de experimentação de movimento parte da frase que dá nome ao trabalho, onde Deleuze se refere aos estudos relacionados a Esquizofrenia, algumas citações como esta me sugeriram uma relação com a esquizofrenia social que vivemos na nossa realidade/atualidade, diluída em mundos e mentes virtuais. Assim, a figura e o corpo limitado a redes virtuais foi uma definição estética que delineou o caminho para o trabalho de movimento. O corpo apresenta-se aparentemente frágil e inábil, mas (seja por impulso de libertação, ou pura imaginação atrelada à vida virtual sem limites físicos) este corpo lida com projeções “impossíveis” a existência real. A questão acrobática ainda vem como mais um fator do “impossível” que juntamente com as “Quedas” fazem uma alusão a personagens fantásticas da rede. Clown, movimento cômico, movimentação acrobática e de impacto (quedas), estruturas des/organizadas e abertas para o jogo. Direção geral, concepção e interpretação: Alexandre Bado/ “Anjo”: Roberta Savian/ Trilha original: Otávio Santos/ Design de Luz: Paulo César de Medeiros/ Vídeo Design: Cila MacDowell/ Figurino: Renata Lamenza/ Pesquisa de referencias na rede virtual: Daniela Bado/ Produção: Realizo produções/ Realização: Grupo Gentependurada.
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