A Pequena Orquestra é um coletivo de oito jovens atores, diretores e autores com forte atuação na cena contemporânea, cujo foco de interesse é o cruzamento das artes visuais, dança, música e performance na criação de uma cena e interpretação que não sejam exclusivamente pensadas pela tradição do teatro. Fazem parte do coletivo: Fabrício Belsoff, Fernanda Félix, Joana Lerner, Keli Freitas, Michel Blois, Pedro Henrique Monteiro, Rodrigo Nogueira e Thiaré Maia.
Seu processo criativo tem base principalmente nas técnicas de improvisação que os diretores Enrique Diaz e Jefferson Miranda praticam com suas Companhias. São elas: a técnica dos Viewpoints e Composições, trazidos para o Brasil por Diaz e o laboratório de interpretação “des-intoxicada” de Miranda. Residências e workshops entre os integrantes da Pequena Orquestra e os diretores citados a cima resultaram nos espetáculos; “Ensaio.Hamlet”, “ A gaivota”, “Nu de mim mesmo” e “Modelos para A(r)mar”. Em Fuga, o ponto de partida é o roteiro desenvolvido durante um ano de pesquisa e que foi parcialmente apresentado sob o título de “Madrigal em Processo”, no Teatro Gláucio Gil em Janeiro de 2009.
“Fuga” é um espetáculo do coletivo Pequena Orquestra que fala sobre a fabricação da realidade e o embate entre verdade e ficção, tendo como estímulo a sobreposição das histórias de dois personagens: Faustine, do livro A Invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares e Thomas, do filme Blow Up, de Michelangelo Antonioni.
A dramaturgia para “Fuga” apresentará de um lado David Hammings, um fotógrafo que tira uma sequência de fotos de um café vazio e que, ao revelar seu material e notar a estranha presença de uma mulher vestida de vermelho, inicia uma investigação para descobrir a identidade dela; Mas à medida que essa investigação vai dando lugar a obsessão, a realidade perde seu contorno, e ele próprio descobre que pode não ser real.
E, do outro, Faustine, uma mulher que num dado dia, sentada num café, se apaixonou. Mas se apaixonou sem ter alguém, sem um objeto. Ela repete então todos os dias os mesmos movimentos que a levam de casa até o café da esquina, na tentativa de recriar o exato momento em que se apaixonou e talvez encontrar o objeto de sua paixão.
O público acompanha estas duas histórias paralelamente. Ora elas se cruzam, se sobrepõem, se encontram e se desencontram. Quem é essa mulher que o fotógrafo procura? Quem é o homem que esta mulher espera? Qual é o limite entre a realidade e a criação na história de cada um destes personagens? E na história de cada um de nós?
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