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Essa chuva que não passa
 

 

Depoimento dos diretores


Ao embarcar no projeto Essa chuva que não passa encontramos um rico vocabulário de pesquisa, resultado de um ano de trabalho pregresso de nosso elenco. Junto com essa bagagem recebemos uma explosão de símbolos, caminhos e possibilidades. Desta forma nosso olhar se tornou um fiel observador de todo universo que estava apontado. Apostando em um processo de criação colaborativo abraçamos todo trabalho anteriormente realizado, fazendo da continuidade prática nosso filtro seletivo. Procuramos ressaltar as principais perguntas que as demonstrações nos traziam. Destas, surgiram respostas cada vez mais precisas, elementos mais pontuados e finalmente tínhamos uma história para contar. Uma história que reflete a família sob a perspectiva do tempo e da solidão. Chegamos a uma linguagem intimista onde os atores comandam toda interferência na cena, potencializando desta forma a aproximação com o público.

Este trabalho começou a ser pesquisado há muito tempo com poucos braços, a estes somamos os nossos, e muitos outros vieram depois. Hoje, o espetáculo é uma reunião de muitos rostos sendo efetivamente o resultado de uma construção coletiva.

Eduardo Vaccari e Daniel Archangelo

 

Depoimento dos atores

Não é fácil ficar nem partir. Dionis e Thaís foram dois que partiram. A família longe e alguns princípios artísticos e pessoais em comum. Então surge Essa Chuva que não passa. Num novo lugar começar é sempre um desafio. Na nossa cidade tínhamos amigos artistas com quem aprendemos a amar nosso ofício, nosso grupo de teatro, nossa panela de cinema. No Rio, além de todo o resto de bom ou ruim, a ausência da família provava que a vida agora era uma nova trilha em que os tijolos seriam colocados por nós.

Em meio à dificuldade de realizar a nossa própria vida estava a vontade de parar o tempo, ir contra o movimento natural de uma geração que chega. A saudade de não deixar de ser filho, irmão, primo encontrando a descoberta de repentinamente se tornar tio, mãe ou avô. Diminuir as distâncias sem perder as riquezas das diferenças que hoje vemos nos lugares que passamos. Nos tornamos estrangeiros. "Pareço uma destas árvores que se transplantam, que têm má saúde no país novo, mas que morrem se voltam à terra natal." (Caio Fernando Abreu, in Estranhos Estrangeiros) E neste momento a dor maior foi a família, nossa identidade. Quando chegamos o melhor que havia era perder-se.

Essa chuva que não passa nos coloca de frente ao Dionis de Senhora dos Afogados de Uberlândia e Thaís de Lilimão/Poema/Ossos em Belo Horizonte. Somos estrangeiros, mas trazemos na mala coincidências. Comemoramos com esta peça o poder das escolhas, do peso que isso acarreta em contraste ao prazer de seguir por um caminho que nos mova com sinceridade. Agradecemos o encontro de um pelo outro e por este um ano de processo, tempo que confiamos neste desejo que era tão nosso e hoje vemos na dedicação de toda nossa equipe. Sem eles, não teríamos nem descoberto melhor o que tanto nos doía, o que nos moveu até esse espetáculo: o tempo. 

Não era só a família. Não teria sido mais fácil ficar, esquecer a partida. Foi o tempo. É o medo do tempo, não o lugar. É a inveja da fotografia e do cinema que conseguem embalsamar o instante. Nossos diretores guiaram o que hoje diz melhor sobre nós do que nós mesmos seríamos capazes de expressar. Tornaram o que era tão nosso algo possível de se partilhar, ser teatro. A delícia de ser um ator-criador nos permitiu iniciar o processo com muita segurança, pois achávamos que sabíamos o que queríamos. Arremessamos Dionis e Thaís, jogamos nós mesmos nas improvisações, e com a junção das referências textuais e os olhares de Vaccari e Daniel, hoje damos lugar a algo maior que nosso ridículo, dores e lembranças. São dois personagens, que tem seus próprios problemas e crises, que ultrapassam e sublinham nosso desejo, e que por isso, esperam honrar este momento do encontro com o público. Sejam bem-vindos à nossa casa-crepe. Fiquem à vontade gente, sem cerimônias.

Dionis Tavares e Thaís Inácio
 

Essa Chuva que não passa

Caio decide sair de casa, essa escolha explode, aos olhos de Ana, em lembranças. Um conflito que coloca estes irmãos diante de um delicado jogo onde ceder transforma-se em uma espera que nunca passa.

 

Onde e quando:
De 01 Setembro a 07 de Outubro - Terças e Quartas às 20hs
Casa de Cultura Laura Alvim - Espaço Rogério Cardoso
Av. Vieira Souto, 176 - Ipanema - Rio de Janeiro/RJ - Tels.: (21) 2332-2015

Preço: R$ 20,00 (inteira) – R$ 10,00 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos

Visite também:
http://www.essachuvaquenaopassa.hd1.com.br/
 

 

 


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